quinta-feira, 17 de novembro de 2011

TRABALHO APRESENTADO NA PUC/SP

Para assistir ao videoclipe do evento que aconteceu na PUC/SP, onde apresentamos nosso trabalho, clique AQUI ou na imagem.


QUERES SER UNIVERSAL, COMEÇA POR PINTAR TUA ALDEIA!
 
Participei da 1ª Conferência Latino-Americana de Geogebra realizada na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP). Esse evento ocorreu nos dias 13, 14 e 15 de novembro de 2011.
O que é o Geogebra? O próprio nome o apresenta, pois é a junção das palavras geometria e álgebra. É um software gratuito de matemática dinâmica que está conquistando os professores de matemática do mundo! Já foi traduzido para 58 idiomas, fundou 85 institutos e é conhecido em 190 países.
O segredo de tanto sucesso pode ser explicado pela frase escolhida para a abertura da apresentação de Zsolt Lavicza, responsável pelo suporte aos institutos criados para divulgar os projetos do software Geogebra. Em sua palestra ele repetiu um provérbio africano: “Se você quer ir rápido, vá sozinho. Se quer ir longe, vá acompanhado." Muita gente contribui com esse projeto que começou em 2001, como tese de mestrado do austríaco Markus Hohenwarter. Alguns colaboram com seus conhecimentos matemáticos, outros com sua capacidade para traduzir línguas, outros usando seus saberes sobre programação de computadores, outros organizando formação continuada para ensinar os professores. Enfim, é uma comunidade que aumenta diariamente. Quem gosta de matemática, quem ama a Educação, quem acredita que é possível qualificar o ensino da disciplina mais criticada pelos péssimos resultados apresentados, está participando para ajudar e receber apoio.
Quando eu soube que durante o feriadão haveria um grupo de aproximadamente duzentas pessoas apresentando suas pesquisas, trocando experiências e discutindo as perspectivas para o uso do software Geogebra, enviei uma mensagem eletrônica parabenizando os coordenadores pela iniciativa. Despretensiosamente, anexei o trabalho que faço na E.M.E.F. Padre José Francisco Bertero em Criciúma e na E.E.F. Demétrio Bettiol, de Cocal do Sul. Fui surpreendida com o convite da Dra. Celina Abar, responsável pelo Instituto Geogebra de São Paulo, para que eu fosse apresentar meu trabalho. Minha primeira reação foi agradecer e dizer que no momento eu não tinha condições. Depois lembrei de uma frase de Tolstói: “Se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia!” Então, pensei: “Posso estar jogando fora a oportunidade que tenho de contar sobre as coisas boas que acontecem na minha terra.”
Fui a última conferencista a apresentar minha experiência, cujo título era “O Uso do software Geogebra no Ensino Fundamental II”. Iniciei dizendo que descobri que sabia muito de espanhol e pouco de Geogebra. Entendi quase tudo o que as pessoas que vieram da Espanha, da Costa Rica, da Argentina, do Uruguai e do Chile falaram e compreendi muito pouco sobre as pesquisas desenvolvidas usando o Geogebra. Fiquei pensando nas coisas “malucas” que aqueles professores pesquisadores estavam desenvolvendo em suas escolas e universidades. Perguntei-me se a “maluca” não seria eu, em querer que meus alunos do 6º ano conheçam as ferramentas do programa. Também pode ser que eu esteja dando o primeiro passo para que minhas crianças entendam, no futuro, o que é que o Geogebra tem a ver com palmito, semente de girassol e as asas da libélula.
 Quando senti que minha missão estava cumprida, chorei! Era um choro silencioso e gratificante. Foi maravilhoso saber que as atividades que desenvolvo com meus alunos servem como referência para os cursos de formação continuada desenvolvidos pela Faculdade de Tecnologias – FATEC – de Ourinhos, em São Paulo.  Jamais imaginei que um dia estaria contando com a ajuda do assessor de matemática da Costa Rica na tradução das minhas palavras para que um dos professores da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, entendesse o que acontece nas nossas escolas.
Não quero que pensem que por isso tudo faço um trabalho incrível. Tenho certeza de que meu trabalho requer muita melhoria. Começo a encontrar pessoas dispostas a trocar experiências, a fazer críticas e sugestões. O trabalho do professor não pode ser solitário. Trabalhar em equipe é o grande desafio dos educadores. Reconheço que as condições reais para isso não existem em nossas instituições de ensino, mas quem sabe a gente encontre uma solução razoável.
       Agradeço a Secretaria do Sistema de Ensino de Criciúma pelo apoio que recebi para cantar as coisas da minha aldeia! Há pessoas que sem saber contribuem para que a comunidade Geogebra cresça, se una, se fortaleça e descubra caminhos para resolver os problemas da Educação Matemática. Precisamos de ação e não de discursos. E agir não é tão fácil quanto discursar.

3 comentários:

  1. Querida Ana Lucia! Como é precioso o seu olhar e digníssimo seu trabalho. Deus sabe o que faz até nos detalhes e, para mim, foi um prazer imenso te conhecer... e é mais prazeroso ainda, poder ler um relato tão interessante que sinto que vem do coração. Parabéns! Vamos junto? Ainda bem que posso ver sua apresentação aqui... beijocas

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  2. Prezada Ana Lúcia,

    Parabéns pelo trabalho e pela apresentação.Foi gratificante sua presença assim como a de todos os demais. Também aprendo muito com todos vcs.
    Grande abraço.
    Celina Abar

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  3. Prezada Professora Ana Lúcia.

    Conheci teu blog há mais ou menos uns 2 anos, sou de SP e não consegui lhe prestigiar e aprender mais com suas experiências - moro perto da PUC -, mas agradeço seu empenho em atualizar seu blog, com isso consigo ter referência que me inspira no meu caminhar como professor.

    muito obrigado,
    Luciano

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